Ao contrário de muitas cidades prósperas do interior do país, favorecidas com as benesses de emendas parlamentares de padrinhos políticos influentes, Vitória da Conquista, no Sudoeste baiano, sofre com uma escassez de apoio que beira a perseguição.
Não é de hoje que a comunidade do municípío implora às autoridades federias que seja feita a duplicação do trecho da BR-116 que faz a ligação com a capital do estado.
Outras regiões do estado, até menos estratégicas economicamente, já foram contempladas com esse benefício, enquanto os conquistenses se arriscam diariamente em uma rodovia mal conservada e sobrecarregada, que ceifa dezenas de vidas anualmente, em acidentes que poderiam ser evitados.
O transporte aéreo poderia ser uma alternativa compensatória para a insuficiência da rodovia, mas depois de lutar por mais de uma década pela contrução de um novo aeroporto, compatível com a força do desenvolvimento local, os cidadãos de Conquista foram surpreendidos com a redução drástica do núemero de voos fazendo a ligação com a capital, que já chegaram a ser três por dia, e agora são somente três por semana.
A pior notícia veio recenemente, a empresa que tem a concessão da linha aérea entre Conquista e Salvador, resolveu substiuir, sem uma explicação lógica, o tamanho da aeronave que faz o serviço. Retirou um avão que transportava mais de 70 pessoas, e colocou um que comporta apenas 9 passageiros; sem sanitário, sem conforto e com um tempo de voo bem maior.
Coisas bem mais simples, como a consrução de viadutos ligando as partes da cidade cortadas pela rodovia federal, esbarram na falta de recursos e de vontade política. O máximo que foi disponibilizado, foi um semáforo em uma dessas saídas, que provoca engarrafamentos enormes.
Outro setor pouco assistido é o do abastecimento de água, que segundo análise de alguns especialistas está defasado em mais de 30 anos.
A obra de ampliação do armazenamento de água na barragem do Catolé, que poderia amenizar o problema, está atrasada em mais de uma década, cercada de situações estranhas, como a conratação de um empresa envolvida reconhecidamente em escândalos de corrupção, que deixou o serviço pela metade.
A falta de recurso hídricos, além de prejudicar diretamente a população, ainda impediu a vinda de várias indúsrias que poderiam gerar mais empregos e desenvolvimento para o município.
Estranho também, é o critério para concessão do transorte rodoviário que faz a rota pra Salvador. Empresas que faziam a linha há décadas foram afastadas, e uma empresa de própriedade de um político aliado ao governo do estado assumiu o monopólio da operação. Essa empresa, por sinal, é a única beneficiada financeiramente com a redução do tamanho das aeronaves.
No meio desse verdadeiro cerco político, Vitória da Conquista continua se destacando como uma das melhores cidades do inerior para se viver. A comunidade civil organizada não desiste de batalhar pelas demandas não atendidas.
O prognóstico é muito claro: no dia em que as obras estruturantes que o município tanto necessita forem realizadas, nínguém duvida de que o que já é bom, vai se tornar ainda melhor. Boa parte dessa decisão está nas mãos dos eleitores que vão às urnas nas próximas eleições. Cada conquistense estará literalmente em um encruzilhada quando estiver diante da urna: confirmar o abandono imposto por representantes omissos, ou arriscar um novo caminho de mais conexão e ainda mais progresso.